biografia

Nasci em Belo Horizonte, em 1970. Sou filho de pai professor e mãe comerciante, seis irmãos. Moro e produzo meu trabalho na região do Barreiro, aqui em Belo Horizonte.

Formei na escola de arte Guignard e fiz pós-graduação em Arte e Educação pelo Centro de Pesquisas de Minas Gerais – CEPEMG. Minha vida só tem a ver com sala de aula se for para a produção de objetos de arte. Não consigo a dicotomia entre pensar e fazer. Meu trabalho surge com a força e persistência obsessiva do meu trabalho. Por vezes, até sangue nas mãos (no meu caso, escultor, o sangue não é uma figura de linguagem) e se reforça em energia na medida em que vai se desenvolvendo e ganhando forma. Não sigo parâmetros. Apenas cumpro um sagrado ritual.

Durante a execução de uma peça as formas vêm à cabeça antes do tema e se moldam e adaptam durante o seu feitio. Como correnteza, como impulso. O ferro é sempre minha ideia primeva e é dele que meu pensamento se torna concreto.

Tive várias influências até me sentir seguro para com o meu trabalho. Influências pelas ousadias de determinados artistas; ou por suas ligações viscerais com suas obras; pelas suas loucuras e paixões pela arte. Por exemplo: a determinação de Van Vogh; a delicadeza de Claudel; a força de Rodin; a paixão de Picasso e até o “Teatro do Absurdo” de Becket, fazem-me construir e pensar o meu trabalho. Tenho que levar em conta, também, a leveza de Quintana que contrapõe, em muito, com o maciço das minhas esculturas. Não posso esquecer de Richard Serra e das belas formas orgânicas de Henry Moore.

Hoje vivo uma grande mudança em minha vida artística com a criação do meu ateliê, compondo o Viaduto das Artes.

O inicio de tudo isso, acontece com o projeto “Arte na Praça”, que desenvolvi junto a Prefeitura de Belo Horizonte (Regional Barreiro), onde criei meu ateliê no Parque das Águas, com a finalidade de desenvolver esculturas para serem colocadas nas praças da região. Daí nasceu a revitalização do Parque das Aguas.

Uma das inúmeras visitas recebidas durante os anos que estive nesse parque, Carlos Perktold escreveu esse texto:

“Há um fenômeno a ocorrer em grandes cidades do Brasil e que parece universal: algumas delas contêm bairros ou regiões nas quais nunca certo grupo de habitantes raramente vai. E há cidades nas quais muitos nacionais jamais vão, exceto se são obrigados. Ninguém vai a New Jersey, unless he has to. E quem mora em Manhattan nunca vai ao Brooklyn, exceto nas mesmas condições. E nem o carioca vai a Niterói. Pouquíssimos paulistas vêem a Belo Horizonte e pouquíssimos belorizontinos vão a Contagem ou a região do Barreiro. Mas em todos os exemplos citados, seus respectivos vizinhos deveriam ir. O nova-iorquino bairro do Brooklyn tem um belo museu que merece várias visitas; Niterói tem outro, lindo projeto de Niemeyer. Quanto ao Barreiro, esclareço aos nossos conterrâneos de outros bairros que ali há o Parque Burle Marx, conhecido também como Parque das Águas, local da primeira casa de campo de prefeito da Capital, merecedor de sucessivas visitas pela beleza. Parte desta ainda pode ser vista como existia há vários anos, aguardando execução de projetos paisagísticos.

No Parque das Águas há ainda a vantagem de vermos várias obras de Leandro Gabriel, um escultor de talento que andou distribuindo suas peças pelos seus jardins. Um belo portão interno divide duas áreas e chama a atenção do visitante junto com mesas e bancos de aço para uso público. Grossas peças de chapas de aço foram utilizadas pelo artista para confecção de fonte paisagística, que mais parece uma capa de livro ou de revista especializada, tão bonito ficou o seu resultado final.

É ali também, num galpão imenso, que o escultor mantém o seu atelier, acumulando sucatas de chapas de aço que, soldadas uma a uma, se transformam em “árvores” ou em formas abstratas que nos remete à tristeza ou à alegria, à paz ou à grandeza humana, tudo a critério do espectador. Ninguém imagine que ser escultor de peças de grande porte requer apenas o talento pessoal. Exige força física visível no porte físico do artista, porque na confecção das peças, depois do cerebral, vem o trabalho braçal de escolher e unir diminutos pedaços e vê-los se transformando no que o espectador vê nesta instalação: toneladas de chapas de aço, soldas, mão de obra especializada, todas embrulhadas no talento particular a transformar Leandro Gabriel num incansável trabalhador e em artista reconhecido.

Num país de pouco interesse pelas artes não é pouco, acredite. Louve-se ainda a parceria da Prefeitura de Belo Horizonte, que com sua permanência naquele local constroem suas esculturas. Louve-se ainda a iniciativa do grupo educacional Pitágoras que, reconhecendo seu valor, abre as portas de espaço tão importante para exposição de noventas peças formadoras de um conjunto que nos remete à fonte da vida, como se fosse uma mensagem do inconsciente do escultor perfazendo um conjunto paradoxal. O paradoxo delas é o mesmo que habita em nós: são todas iguais e são todas diferente.”

Vencido esse primeiro projeto do Parque das Águas iniciei o Projeto Escultórias, junto com a arte-educadora Sandra Lane. Ele visa transformar pátios das escolas, rodoviárias, estações de trem, em espaços de arte, por meio de exposição, oficinas literária \ plástica e colocando a arte e a cultura a serviço da melhoria da qualidade de vida das pessoas.

O Projeto Viaduto das Artes vem nesta mesma linha de pensamento que é sociabilizar a arte a partir de exposições em espaços públicos de fácil acesso. O projeto iniciou em 2007, onde transferi meu ateliê do Parque das Aguas para debaixo do viaduto Engenheiro Andrade Pinto. Uma área de aproximadamente 1.000 metros quadrados, no Bairro Barreiro em Belo Horizonte.

Um viaduto cujo entorno era bastante degradado, utilizado por dependentes químicos e a serviço de criminosos, que se transformou, hoje, em um lugar de referência em ocupação artística cultural, com galeria de arte, ateliê de arte, Jardim de Esculturas, biblioteca e sala para oficinas.

Atualmente esse espaço propicia oportunidades para que as pessoas se expressem e comuniquem suas ideias, tornando o Viaduto das Artes um agente propulsor do desenvolvimento humano sustentável.